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Jangchub Reid é professor de meditação desde 1973. Fez sua formação na prática de mindfulness e estudos sobre o Dharma em 1975, com seu professor principal, Namgyal Rinpoche, mestre das principais tradições budistas.

 Estudou Antropologia Social na Universidade de Auckland e Estudos Religiosos na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, seu país natal. Foi membro da NZ Association of Counsellors e principal diretor de um centro comunitário de terapia em Christchurch. Foi consultor do Department of Corrections (sistema público prisional), Department of Children, Young Persons and Families (sistema público de bem-estar social) e Family Court (justiça familiar) da Nova Zelândia. Trabalhou também com terapia familiar e ajudou a iniciar programas contra a violência doméstica e para pessoas em liberdade condicional.

Dedicou muitos anos à criação e ao estabelecimento de centros de meditação, principalmente ao Wangapeka Study and Retreat Centre. Foi professor residente do Queenstown Dharma Centre. Recebeu transmissão direta de grandes mestres, como S.S. o XVI Karmapa, Sogyal Rinpoche, S.S. Sakya Trizin, Chobgye Trichen Rinpoche e Thich Nhat Hanh.

Desde 2003, ensina também no Reino Unido, na França e no Brasil, além da Nova Zelândia. Em 2011, estabeleceu a Casa Namgyal, em Botucatu (SP). Em 2013, inicia o Curso de Formação de Instrutores de Mindfulness, oferecido por Mindfulness Trainings International (MTi), fundada por ele. É membro fundador da Rede Aberta de Mindfulness (AbraMind).

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Tarchin Hearn e sua companheira Mary Jenkins devotaram décadas de suas vidas ajudando a estabelecer o Wangapeka como um centro repleto de pessoas empreendendo o profundo trabalho de desdobramento do ser. Tarchin e Mary são ambos precursores do Wangapeka, e Tarchin promove retiros no local quase todos os anos.

Tarchin Heran nasceu em 4 de março de 1949, em Romford, na Inglaterra. Após a Segunda Guerra Mundial, havia carência de habitação; assim, durante os primeiros dois anos e meio de sua vida, ele morou em um ônibus abandonado no meio de um campo, com seus pais, John e Margaret (Margaret mudou seu nome depois para Sybil), e seus tios. Quando Tarchin tinha 3 anos, a família Hearn, agora com mais um filho/irmão (Stephen), imigrou para o Canadá e firmou residência nos arredores de Toronto, onde a irmã (Kate) completou a dinâmica familiar. Eric, como era conhecido naquela época, frequentava uma escola em Don Mills. Durante sua juventude, ele foi agraciado com uma diversidade de experiências de aprendizagem que, muitas vezes, o levaram a se aventurar para longe de sua família. Essas atividades envolveram uma imersão no mundo da música, idas ao Clube de Sábado de Manhã, no Museu Real de Ontário, navegação e atividades aquáticas, muito tempo perambulando por bosques e barrancos, a responsabilidade bem precoce de se autossustentar financeiramente, atividades atléticas e competição de esqui na neve.

 

Em 1967, ele começou seus estudos na Universidade Fraser, em Vancouver. No fim dos anos 60, as universidades eram barris de pólvora do ativismo político e social, e, como muitos outros da geração hippie e anti-Guerra do Vietnam, o jovem Tarchin participou de manifestações em massa e passou por uma série de faculdades; no seu caso, da Biologia para a Geografia, a Psicologia e as Ciências Sociais. Ele acabou abandonando a universidade com o objetivo de procurar uma educação mais significativa através de viagens e experienciando outras culturas pelo mundo.

Com 20 anos, em Toronto, ele teve um encontro breve com o Bhikkhu Ananda Bodhi, mas logo depois deixou o Canadá para viajar de carona, por conta própria, pelo norte da África e através do Oriente Médio até a Índia, onde - após nove meses de viagens a esmo praticamente sem dinheiro - desenvolveu um episódio grave de hepatite e vários tipos de disenteria amebiana. Após retornar ao Canadá e recuperar a saúde, ele reconectou-se com Ananda Bodhi e com o entusiasmo de sentir que havia descoberto algo fundamentalmente significativo a fazer com sua vida. Durante a maior parte dos sete anos seguintes, ele viajou por todo o mundo, muitas vezes em viagens oceânicas em cargueiros fretados, estudando e participando de retiros com o Bhikkhu, que, mais tarde, foi reordenado e passou a ser conhecido como Namgyal Rinpoche.

Sob a orientação do Rimpoche, Tarchin, junto de outros estudantes do Dharma, explorou as escolas Theravada, Mahayana e Vajrayana de budismo, assim como vertentes do misticismo cristão, psicologia e psicoterapia, vários tipos de terapia de consciência corporal, história, arte e ciência natural. Aos 24 anos, ele recebeu a ordenação como noviço na tradição Karma Kagyu do Budismo Tibetano, das mãos de Kalu Rinpoche, que era seu segundo professor principal e que lhe deu o nome Karma Tsultrim Tarchin.

Karma quer dizer atividade. Tsultrin significa “relacionar-se com integridade”. Tharchin, pronunciado Tarchin (o “h” é silencioso), quer dizer “vasto como o céu” e “ chegando aos limites da realização”. Aos 27, ele recebeu a ordenação Gelong/Bhikkhu completa de Sua Santidade o 16° Gyalwa Karmapa. Durante esses anos, ele continuou a viajar e estudar com Namgyal Rinpoche.

Além de Namgyal Rinpoche, que foi seu “Mestre Raiz”, Tarchin estudou com professores radiantes, tais como Kalu Rimpoche, S.S. o 16° Karmapa e Sayadaw U. Thila Wunta (o primeiro professor birmanês de Namgyal Rinpoche).

Ele também recebeu ensinamentos e transmissões de S.S. o Dalai Lama e dos mestres S.S. Sakya Trizin, H.E. Chobje Rinpoche, Ling Rinpoche, Trichang Rinpoche, Kanjur Rinpoche, Karma Thinley Rinpoche, Dilgo Khyentse Rinpoche, Namkhai Norbu Rinpoche e Thich Nhat Hahn. Através de seus textos e livros, Tarthang Tulku, Krishnamurti, David Bohm e Lynn Margulis foram outros professores que o influenciaram fortemente.

Em 1977, Tarchin foi enviado por Namgyal Rinpoche para ser instrutor residente em Ottawa, no Canadá. Lá ele ajudou a fundar um grupo de Dharma chamado o Staff Crystal. Desde aquela época, ele ensinou e liderou retiros em vários países e ajudou a estabelecer uma série de centros de estudos e prática. Em 1980, ele foi convidado a ensinar na Nova Zelândia. Voltou para lá em 1981 e 1982, quando, por sugestão do Rinpoche, iniciou o processo de fixar residência no país. Desde então, tem sido um professor e guia e, por vezes, professor residente no Centro para Estudos e Retiros Wangapeka, próximo a Nelson, onde, ao longo dos anos, tem liderado longos retiros e programas de treinamento.

Após doze anos de ordenação, Tarchin passou a questionar a relevância de viver como monge budista estando cercado por leigos e pelos valores da sociedade secular ocidental. Sentia uma dissonância cada vez maior entre os ensinamentos que pregava, que encorajavam a inquirição ampla e aberta, a compaixão e o respeito por todas as formas de vida, junto de uma profunda apreciação pela interconexão entre todos os fenômenos, e o que representava publicamente, que começou a lhe parecer, por vezes, uma tradição religiosa ligeiramente medieval, patriarcal e hierarquicamente controlada, que, em vários sentidos, não se afinava com a experiência de vida moderna da Nova Zelândia. Na lua cheia de 5 de maio de 1985, após meses de profunda consideração e luta interna, em uma cerimônia em Wangapeka, ele formalmente abandonou a vida monástica.

Escritor, poeta, viajante e professor inspirador, Tarchin por vezes se descreveu como “um yogi do mundo natural”. Ele tem grande paixão por unir os insights e saberes da ciência e da ecologia com o Buddhadharma e, em particular, com os ensinamentos do Mahamudra e do Dzogchen. Muitas vezes, usando microscópios e lentes de aumento a fim de enriquecer os retiros de meditação em silêncio, seus ensinamentos parecem mais aulas de ecologia profunda do que de budismo clássico. Visto por muitos como um Lama e um Naljorpa (yogi) no fluxo da exploração do Dharma que floresce da tradição Mahamudra apresentada por Namgyal Rinpoche, e autorizado a transmitir empoderamentos nessa tradição, Tarchin, no entanto, está continuamente explorando formas de apresentar o ensinamento (Dharma) de forma que seja imediatamente relevante e útil para as pessoas que encontra, nas circunstâncias em que se encontram. A ênfase de Tarchin na inquirição contemplativa, integrando as quatro funções junguianas (Sensação, Pensamento, Sentimento e Intuição), todas plenamente banhadas em bondade amorosa e compaixão, fala à pessoas de diversos contextos educacionais e interesses de vida e, como tal, é não sectária e profundamente inclusiva em sua natureza e aplicação.

Entrelaçando humor e seriedade, experimentação eclética e tradição clássica, sua vida e seus ensinamentos inspiraram uma ampla gama de pessoas, de iniciantes em uma vida espiritual de ação compassiva e inquirição meditativa até professores competentes de diferentes tradições.

Por 30 anos, Tarchin viajou continuamente pelo mundo, participando de retiros e trabalhando com seres. Mais recentemente, ele começou a diminuir a quantidade de viagens e, com sua companheira, Mary Jenkins, tem passado mais tempo na ermida Orgyen, sua terra na Nova Zelândia. Apesar de ainda ensinar e conduzir retiros, os interesses de Tarchin se estenderam para a biologia molecular, a neurociência, o fazer e tocar a flauta shakuhachi, jardinagem e o aprofundamento de seu conhecimento sobre o solo e a terra viva; como ele mesmo diz, “ vivendo a vida de um fazendeiro do Dharma”.

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Biografia do Venerável Namgyal

por Tarchin Hearn

 

No dia 22 de outubro de 2003, em um chalé na beira do lago Bodensee na Suíça, o grande professor, que conhecíamos como Namgyal Rinpoche, morreu com 72 anos de idade.

Como podemos descrever a vida de um ser como este?

Uma vez, muitos anos atrás, ele me disse: “Não tenho nome. Eu sou śūnyatā, (a vacuidade; a abertura expansiva da inter-existência) e, além disso, tudo aquilo que você, ou qualquer outra pessoa, queiram projetar”.

Tendo isso na mente, eu suponho que existam tantas histórias verdadeiras do Rinpoche, quantos historiadores. Tenho certeza que, com o tempo, existirão tentativas de registrar a vida dele detalhadamente e com precisão, entretanto, por hora, aqui estão algumas observações coletadas quando escutei ele mesmo se referir a sua vida, outras tiradas das minhas próprias observações, das anotações do Lama Sonam Gyatso e das conversas com os outros estudantes do Rinpoche.

Rinpoche nasceu e cresceu na cidade canadense Toronto. Sua mãe, uma enfermeira, era descendente de escoceses e seu pai era irlandês e um policial. Ele tinha uma irmã mais nova. Não escutei muito sobre a sua infância, mas, ele revelou algumas experiências que foram formativas em sua vida. O seu pai era Maçom Livre e, por isso, quando adolescente, as raízes do seu interesse e envolvimento com as tradições ocidentais do despertar espiritual foram estabelecidas. Ele frequentou o Malvern Collegiate Institute, onde se destacou por sua apreciação musical, e, durante os verões, ele trabalhou nos laboratórios Conaught, tornando-o interessado, desde cedo, por biologia e medicina.

No final de sua adolescência, depois de ter tido muitas experiências místicas na infância, ele se sentiu chamado para ser pastor, estudou no Jarvis Baptist Seminary por um curto período onde aprendeu muitas artes como “homiletics” e “critica (bíblica) avançada”. Ele não se ordenou nessa época, mas seguiu seus estudos em Filosofia e Psicologia na University of Michigan, Ann Arbor. Em seguida, vem um período intenso de envolvimento com o movimento socialista juvenil do Canadá, culminando com uma visita à Rússia para falar em uma conferência de jovens em Moscou. Depois disso, ele retornou para Londres, onde explorou as tradições dos mistérios ocidentais e o budismo, e começou a praticar meditação regularmente.

Em 1956, o jovem Leslie George Dawson assistiu uma palestra feita por um mestre da meditação birmanesa, o Ven. U. Thila Wunta Sayadaw. Uma poderosa conexão deve ter sido desperta nessa hora. O mestre Sayadaw sugeriu que o jovem canadense viajasse para a Birmânia para estudar com ele. Um pouco mais tarde, no mesmo ano, Rinpoche recebeu a ordenação de noviço do Sayadaw em Bodh Gaya, na Índia, e depois a ordenação completa na Birmânia. É quando ele se torna conhecido como o Ven. Bhikkhu Ananda Bodhi. O Bhikkhu passou aproximadamente 5 anos estudando na Birmânia, Tailândia e Sri Lanka, onde aprofundou-se na tradição Theravada e foi, eventualmente, reconhecido como um Samatha-Vipassana-Kammathan-Acariya, um mestre professor de meditação.

Em 1961, a English Sangha Association requisitou que o Ven. Ananda Bodhi se tornasse o abade encarregado em Londres. Durante os anos seguintes, além de dar extensivos ensinamentos pela Grã-Bretanha, ele estabeleceu o Hampstead Buddhist Vihara em Londres e um centro de meditação em Staffordshire (Biddulph Old Hall). Um terceiro centro foi estabelecido independentemente na Escócia, chamado Johnston House. Hoje, este centro, é o próspero, grande e muito ativo Centro Karma Kagyu, Samyeling.

Em 1965, ele voltou para o Canadá onde começou a ensinar em Toronto.

Em 1966, o Dharma Centre of Canada foi estabelecido, e uma propriedade para meditação, de 400 acres perto de Kinmount, foi adquirida. O Bhikkhu, como era conhecido nessa época, ensinou principalmente em Toronto por aproximadamente 8 meses cada ano e, depois, encorajava os estudantes a viajarem com ele durante os 4 meses restantes. Foi durante uma de suas muitas viagens que ele foi para Rumtek, no Sikkim, e encontrou-se com S. S. o décimo sexto Karmapa, que o reconheceu como um Tulku. Nessa época, Rinpoche não sentia que houvesse necessidade de se reordenar na tradição tibetana, já que os votos eram os mesmos que os que ele já tinha. Ele voltou ao Canadá e continuou a ensinar como Ananda Bodhi. Durante esse tempo, muitos de seus estudantes eram jovens canadenses da era hippie. Era um tempo de grande experimentação e desafiador para todas as tradições. Movendo-se no fluxo dessa energia, ele ensinou uma vasta gama de abordagens para o despertar espiritual usando todas as principais tradições do budismo, e também psicoterapia, ciência ocidental, artes, filosofia, movimento e dança, e muitas outras disciplinas. Essa foi uma época experimental muito rica, enquanto ele investigava quais atividades seriam as mais úteis para liberar os seres. Durante esse tempo ele deve ter contemplado sobre o valor em usar a tradição tibetana como um veículo para ajudar os seres.

Pouco tempo depois que eu comecei a estudar como Bhikkhu em 1970, nós viajamos para a Índia e para Rumtek com 108 pessoas. Durante essa visita, Rinpoche foi reordenado por S. S. o décimo sexto Karmapa e, desde então, ele ficou conhecido como Karma Tenzin Dorje Namgyal Rinpoche.

Desde esse tempo até a sua morte, Rinpoche viajou pelo mundo todo, ensinando continuamente, explorando e apoiando o estabelecimento de muitos centros para o estudo e a prática de Buddha dharma. Ele nos mostrou o caminho do dharma, uma imensa mandala da atividade do bodhisattva, que estava aberta e querendo explorar todas as facetas da vida. Exteriormente eclético em sua expressão, não havia nada que não tivesse um lugar em seu vasto veículo do despertar, no entanto, por mais que explorássemos tantas facetas da vida, o ensinamento e a prática sempre voltavam para a essência do Mahāmudra, o cultivo de mindfulness e o trabalho ativo de fazer florir muitas formas de compaixão no mundo para o benefício de todos os seres.

Ao passar dos anos, a sua vida tocou, direta e indiretamente, um número extraordinário e uma variedade de pessoas, que, mesmo que ele não esteja mais em carne e osso, as ondas de seu ensinamento continuam a se espalhar pelo mundo. Alguns de seus estudantes tornaram-se professores do dharma muito habilidosos e competentes, de modo que eles, e os centros que eles ajudaram a estabelecer, continuam a florescer com uma miríade de atividades beneficiando muitos seres, especialmente na Nova Zelândia, Austrália, Japão, Canadá e Europa.

O Wangapeka Study and Retreat Centre é um dos centros que tiveram a sua existência inspirada na vida e nos ensinamentos de Namgyal Rinpoche. Em sua penúltima visita, ele estava falando sobre a possibilidade de estabelecer, na Nova Zelândia, um novo centro para a prática do Dharma de acordo com a tradição Sakya do budismo tibetano. Uma pessoa perguntou se Wangapeka poderia ser esse centro. Ele disse: “Não, não o centro Wangapeka. Esse centro é para o desenvolvimento de novas formas experimentais e expressões do dharma”. De certa forma, isso é o que a vida do Rinpoche foi. Ele foi uma ponte entre as grandes tradições antigas do despertar e o mundo moderno da era espacial e da rede world wide web.

Rinpoche foi muitas coisas para muitos seres. Ele foi um guardião da tradição e, simultaneamente, um inovador e integrador de novos caminhos do despertar. Viajou extensivamente por todo o mundo. Inspirou uma miríade de pessoas para aventurarem-se fora de suas zonas de conforto, para explorarem e fazerem-se disponíveis para ajudar os outros compassivamente. Para alguns ele era o arquétipo do professor tibetano; para alguns, o Bhikkhu; para uns o Mestre Maçônico; para outros o professor. Para alguns ele era o agente de viagens cósmico. Para alguns o colecionador de coisas exóticas. Para alguns era um charlatão e um foco de fantasia e de fofoca. Para alguns ele era o ser humano mais cheio de vida que eles já haviam encontrado. Mas, quem era ele para si mesmo? Como ele me disse, muitos anos atrás em um navio polonês ao longo da costa do Quênia:

“Eu sou śūnyatā... e o que for que qualquer um quiser projetar."

Foram necessários muitos anos para eu compreender que essa declaração inclui todos nós.

Foi maravilhoso ter vivido tantos anos conhecendo Rinpoche, uma extraordinária manifestação da Vacuidade e da vasta atividade Compassiva.

Que a integridade dos ensinamentos, que ele deu tão livremente para tantos seres, continue a crescer e florescer, para o benefício de muitos seres que ainda virão.

~ Tarchin

Veja também: Tales of Awakening: Travels, Teachings and Transcendence with Namgyal Rinpoche, (1931-2003), Ed. Wilkie & Berry, Fairhaven Lantern Media, 2012. www.createspace.com/3850183

 

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Venerable Sayadaw U Thila Wunta was born June 28, 1912 in Wekalaung, Mon State, Burma to the Ngyein family. His parents named him Botaya “one who loves the dhamma.” He began his training at the Wekalaung village monastery school in 1919 and at the age of 15 he took the vows of a samanera or novice monk, and was given the name Thila Wunta “Great Sila.”

In May 1932 he received full ordination as a bhikkhu under the preceptorship of Kyaw Sayadaw and spent his first three-month retreat at Htan-bin Monastery near Wekalaung. Between the years 1933 and 1938 he practiced in Mandalay under the supervision of Sayadaw U Narada of Payagyi Monastery, Sayadaw U Ariya of Ahlei Taik Monastery, and Sayadaw U Pyin Nyein Da of Aung Mye Bonzan Monastery all renowned scholars and meditators. Venerable U Thila Wunta then dwelt for three years near the Shwe Dagon Pagoda in Rangoon, one of the great holy sites that the Burmese believe are especially conducive to meditation practice. During this period he constructed his first pagoda (stupa), the Su-taung-pye Kat-Kyaw Pagoda, on the She Dagon’s second level.

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In 1941, ahead of the advancing Japanese invaders, Sayadaw left Rangoon for his native Mon State, where he remained in retreat at Phaouk Monastery in Moulmein until after the end of hostilities. In early 1946 he returned to Rangoon, where he took up residence in a bamboo hut, again not far from the great Shwe Dagon Pagoda. In May of 1947 he was given another small meditation hut by some devout lay people living in Kapili Kwathi on the west side of the Shwe Dagon, and there he spent the rainy season practicing meditation with eight fellow monks. At the end of 1947 he set out for Mandalay to pursue further meditation practice at Mahatmya-muni Pagoda. There he met and discussed meditation with a disciple of Bodaw Aung Min Gaung, one of the most venerated practitioners of the Weizzar forest tradition (from the Pali vijja: wise ones. The weizzars of Burma are considered to be accomplished masters similar to tantric yogis and siddhas). During their conversations the Sayadaw learned that this student had travelled the distance between Popa and Mandalay, normally a two-day journey, in just three hours.

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Inspired by what he had heard about Bodaw Aung Min Gaung, Sayadaw traveled to Popa to meet the great master in person. This meeting brought about a radical change in his understanding. He began an intensive retreat, asking the Bodaw to explain the nimittas (signs) that had arisen in his meditation. At this time the Bodaw promised to henceforth help in all the works of the Sayadaw, strengthening the Buddha Sasana in Burma and abroad.

Upon Sayadaw’s eventual return to Rangoon, a devout layman named U Pho Nweh requested that he accept five acres of land and restore an ancient, ruined pagoda on the site. At the conclusion of a meditation retreat, during which he considered the request, Sayadaw journeyed to Popa to ask the advice of Bodaw Aung Min Gaung. On the Bodaw’s recommendation, he accepted the land and began construction of the Dat Pon Zon Aung Min Gaung Pagoda on January 13, 1949. That was the start of a project that has continued up to the present. Today, surrounding the reconstructed central pagoda, there are some 174 smaller pagodas, along with a number of buildings for monks and lay meditators. The original five bare acres has been transformed into a thriving monastic complex, known as Dat Pon Zon Aung Min Gaung Monastery.

For five years, from the time of his initial residence on the property in early 1948 until the construction of the first monastery buildings in 1953, Sayadaw dwelt under a large tree, refusing any permanent lodging. When local devotees brought him offerings they would often find him seated in motionless meditation, the ants having incorporated his body into their network of paths. To this day he is known to many Burmese as the “Ant Sayadaw.”

In 1952 Venerable Sayadaw U Thila Wanta went on pilgrimage to Bodhgaya and other Buddhist sites in India. At Mihintali he meditated where Prince Mahendra (Mahinda), the son of Emperor Asoka, is said to have attained enlightenment. He also went to Savatti, to Rajgriha, the Vulture’s Peak, site of many of the Buddha’s discourses, to Sarnath, where the Buddha gave his first teaching, and to Kusinara, where the Buddha entered into parinibbana. In Sri Lanka he visited the great monastery of Anuradhapura.

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In 1955 Sayadaw began a period of wide-ranging travel and pagoda construction. He visited Thailand, Cambodia, Nepal and once again India, where he completed an intensive forty-nine-day meditation retreat at Bodhgaya. In 1958 he travelled by ship to England and then to the United States, where he built the American Shwe Dagon Pagoda on land donated by Mr. Gus Ruggieri near Allegany, New York.

While in London, Sayadaw met the young Canadian Leslie Dawson, who was interested in becoming a monk and had already studied the Vinaya and other aspects of the Dhamma. Sayadaw advised Mr. Dawson to meet him in India and then to return with him to Burma, and on October 28, 1958, Leslie Dawson was ordained as a novice monk in Bodhgaya, taking the name Ananda Bodhi. He received full bhikkhu ordination at the Shwe Dagon Pagoda in Rangoon on December 21, and then began an extended period of intensive meditation practice, during which he studied for periods in Sri Lanka and at Wat Paknam and Wat Mahadat (with Chao Khun Phra Rajasiddhimuni) in Thailand, as well as with Sayadaw U Thila Wunta and Venerable Mahasi Sayadaw in Rangoon. He was ultimately given the title Samattha-Vipassana-Kammatthana-Acariya (master of both tranquility and insight meditation) in recognition of his attainments.

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Between 1958 and 1981 Sayadaw built and restored numerous pagodas throughout Burma. He also gained a reputation as a great healer and his monastery became a centre for monks from his native Mon State wishing to do concentrated meditation practice in Rangoon. In 1981 and 1982 two American students of Ven Ananda Bodhi (by then known as Namgyal Rinpoche) came to Sayadaw to request ordination as U Pannananda and U Bodhi Nanda (aka Karma Sonam Senge). Subsequently they initiated and helped to support Ven Sayadaw U Thila Wunta’s second visit to the West.

In April 1982 Sayadaw left for North America, where he constructed pagodas and taught at centres near Boise and Kinmount and on Galiano Island. Additionally, he rebuilt the American Shwe Dagon Pagoda in New York and gave teachings in San Francisco, Los Angeles, Nelson, Edmonton and Calgary. In November, at the invitation of students of Namgyal Rinpoche, Sayadaw continued on to New Zealand, where he taught in Aukland, Wellington and Christchurch before travelling to the Wangapeka Retreat Centre to construct another pagoda. From New Zealand Sayadaw flew to Australia, where he supervised the building of a pagoda in Adelaide and visited the Origins Centre near Perth.

Between 1988 and 2000 Sayadaw made three more extensive journeys outside Burma. Students of Namgyal Rinpoche helped to organize a visit to Wangapeka_Stupa England, where Sayadaw constructed a pagoda in Warwick in 1988. In 1990 he travelled to California and British Columbia, teaching in Los Angeles and Vancouver and building a spacious platform around the World Peace Pagoda on Galiano Island. In 2000 Sayadaw journeyed again to North America, constructing a pagoda in Winnipeg and a large Buddharupa at the Dharma Centre in Kinmount. Then he went on to build a pagoda in Barrydale, South Africa before returning to Burma. Though health problems prevented his direct participation, in 2006 students of the Ven Sayadaw constructed a pagoda in Sao Paulo, Brazil, fulfilling his wish that pagodas be built on all six continents.

The Ven Sayadaw, truly a living embodiment of the power of the Teaching, spoke of himself as a fisherman casting the golden net of Buddha Dhamma in many far-off seas. He passed away in Rangoon on March 18, 2011.


Venerable Sayadaw U Thila Wunta’s biography is written by John de Jardin, visit www.muditabc.org for meditation classes with John in Vancouver, Canada and www.walkingshadow.net for more information and photography by John De Jardin